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quarta-feira, 17 de agosto de 2011
terça-feira, 16 de agosto de 2011
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Médias e grandes cidades urbanas do país registram aumento da incidência de raios.
Incidência de raios no Brasil vem aumentando, mas somente nas médias e grandes cidades urbanas, segundo o coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Osmar Pinto Júnior. Ele coordena, a partir de amanhã (7), no Rio de Janeiro, a Conferência Internacional de Eletricidade Atmosférica (Icae 2011), que ocorre pela primeira vez no Hemisfério Sul.
O Amazonas é o estado com maior incidência de raios: 20 milhões por ano. No entanto, considerando a relação entre o número de raios e a área dos estados, a liderança é do Mato Grosso do Sul. No país, a média de incidência é 50 milhões de raios por ano.
“Olhando o país como um todo, a incidência de raios não mostra uma tendência de aumento, apesar de os dados apontarem resultados muito importantes.” As informações da pesquisa serão apresentadas pelo coordenador do Elat/Inpe em palestra programada para a próxima terça-feira (9), na Icae 2011.
Em termos de mortes, o levantamento do Elat mostra que, na última década, 130 pessoas morreram, por ano, atingidas por raios. Não existe estatística oficial sobre feridos, mas a estimativa é que anualmente cerca de 300 pessoas sobrevivam depois de serem atingidas por um raio.
Osmar Pinto Júnior disse que em 2011, “atipicamente”, o número de mortes por raios está muito baixo, em torno de 60 ocorrências. “Esse número ainda vai aumentar, mas não deve ultrapassar 100 mortes. Ou seja, vai ficar bem abaixo da média da última década.”
O engenheiro explicou que 85% das mortes por raios ocorrem ao ar livre. A circunstância mais comum é a morte de pessoas trabalhando no meio rural, na lavoura, seguida por mortes em praias e estradas. O restante dos casos ocorrem dentro de casa, matando pessoas que falam em telefones sem fio, tomam banho durante as tempestades com raios ou encostam em aparelhos ligados à rede elétrica, como geladeiras, por exemplo.
Em áreas descampadas as pessoas também correm mais risco de serem atingidas do que se estivessem em uma mata, onde o ponto mais alto são as árvores, e não a cabeça humana. “Em uma mata, você está coberto por altas árvores. Está mais seguro.” As árvores isoladas, no entanto, devem ser evitadas durante tempestades com raios, recomendou.
São Paulo ocupa a liderança em número de mortes por raios, “apesar de não ser o estado com maior incidência. Isso acontece por causa do maior contingente populacional, ou seja, tem mais gente para ser atingida e acabam morrendo mais pessoas”.
À exceção do Nordeste, onde é menor a incidência de descargas elétricas, todas as regiões brasileiras registram muitos raios. “E até no Nordeste a incidência está aumentando de três anos para cá.” As razões ainda estão sendo pesquisadas pelo Elat.
Na segunda-feira (8), haverá uma entrevista coletiva, pela manhã, na Icae 2011, quando serão apresentados os principais avanços mundiais na área de eletricidade atmosférica e anunciados os resultados das pesquisas brasileiras. As informações são da Agência Brasil.
Brasil desenvolve segunda maior rede de monitoramento de raios para evitar catástrofes naturais.
Rio de Janeiro - As tempestades severas como as ocorridas no início do ano na Região Serrana do Rio serão cada vez mais comuns e violentas no Brasil, segundo um estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em parceria com a entidade norte-americana Massachussets Institute of Technology (MIT). Para evitar que as tempestades se tornem catástrofes climáticas, o país está desenvolvendo novas tecnologias, dentre elas, a segunda maior rede do mundo de monitoramento de raios e a maior da região tropical do planeta. A maior dessas redes, atualmente, é a dos Estados Unidos.
O anúncio foi feito hoje (8) durante a 14ª Conferência Internacional de Eletricidade Atmosférica no Rio de Janeiro, considerado o maior evento mundial sobre o tema.
De acordo com engenheiro Osmar Pinto Júnior, coordenador do evento e do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Inpe, a rede BrasilDAT, desenvolvida pelo Inpe e pela Eletrobrás Furnas, cobrirá, com 75 novos sensores e 33 já existentes, todo o território nacional e irá identificar descargas elétricas no solo e nas nuvens, associadas às tempestades.
“Quem retrata a severidade de uma tempestade capaz de causar um desastre são as descargas dentro das nuvens. Se a rede já tivesse funcionando na época das tempestades na Serra, a tragédia teria sido evitada, pois ela seria capaz de detectar com confiabilidade a tempestade com cerca de 20 a 30 minutos de antecedência”, explicou o coordenador do Elat.
A Região Sudeste já está coberta pela rede e a previsão é de que as regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste estejam cobertas até julho de 2012. A rede deve custar cerca de R$ 10 milhões aos cofres públicos.
O Brasil é recordista em número de raios que atingem o solo em todo o planeta, com cerca de 50 milhões de descargas elétricas por ano, responsáveis pela morte de uma média de 130 pessoas, além de prejuízo de R$ 1 bilhão aos setores público e privado. A cada 50 pessoas que morrem no mundo por causa de raios, uma reside no Brasil.
Osmar ressaltou, no entanto, que é fundamental uma interligação entre a Defesa Civil, as prefeituras e o setor elétrico na prevenção de tragédias e a criação de uma legislação voltada para a proteção das redes elétricas de distribuição contra desastres naturais.
“Não há nada de apocalíptico no aumento de raios. Podemos ter o triplo de raios e um número menor de mortes e de prejuízos se melhorarmos os sistemas de proteção e a conscientização da população. Nosso sistema político deve ser modificado para criar leis de longo prazo”, declarou o engenheiro.
Ele criticou o fato de as empresas de energia serem penalizadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em casos que envolvem desastres naturais quando, na verdade, não existe uma legislação que dê suporte para as redes de distribuição nas cidades. “Deve haver a compreensão de que, em uma catástrofe, a empresa não pode ser culpada, ela precisa de uma legislação que dê suporte para enfrentar um problema como esse.”
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